Birras, como lidar com elas?

Fazer a intervenção correta no momento em que a criança faz birra é o ideal e os pais tem o papel principal nesta tarefa, favorecendo a manutenção ou extinção do comportamento inadequado da criança.

As birras são sinais de frustração e perda de controle emocional da criança que ainda não desenvolveu a capacidade de esperar, mas já aprendeu utilizar os gritos e choros estridentes como ferramentas para convencer o adulto a realizar sua vontade no momento exato em que solicita.


Os primeiros sinais de birras podem aparecer já por volta de um ano e meio, e seu auge acontecerá dos dois aos quatro anos devido ao desenvolvimento da identidade e vontade própria. Nessa idade a criança também adquire maior refinamento da coordenação motora e aumento do repertório verbal, proporcionando-lhe mais força para questionar as ordens do adulto.


Mesmo sendo um comportamento comum nas crianças nesta faixa etária não deve ser encarado como algo sem importância, pois a não intervenção ou a frequente intervenção inadequada transforma a birra que seria um evento pontual em uma reação aprendida enraizada na personalidade, estendendo-se para os comportamentos futuros da criança.


Os pais tem o dever de agir e intervir para ajudar a criança a identificar seus sentimentos e achar uma forma mais assertiva de se comunicar e expressar suas vontades e desejos.


Os pais devem ficar atentos em como manifestam seus próprios sentimentos e emoções, pois a criança observa o comportamento dos pais e reproduzem a atitude observada no dia-a-dia.


O papai e a mamãe devem ter harmonia em relação ao que é esperado da criança, ter coerência e consistência em relação às regras, caso contrário a criança fica confusa e não terá um parâmetro definido para suas ações.


Conhecer a criança e saber o que a deixa irritada, a tira do sério ou faz chorar ajuda os pais a intervir antes que a birra aconteça. É importante que os pais direcionem a criança quando sabem que ela apresenta dificuldades em lidar com determinadas circunstâncias, como por exemplo, brincar em grupo com amiguinhos, compartilhar os brinquedos, ir para a cama na hora certa, etc.


Orientar a criança e dar uma segunda chance dela retomar a situação de modo diferente, colabora para uma melhor compreensão do que a princípio foi feito de errado e também para prática da ação correta.


Reforçar os comportamentos desejados e não atender aos comportamentos inadequados é o melhor caminho para a extinção da birra. Os pais que atendem as solicitações da criança quando estas são manifestadas de forma descontrolada, tendem a reforçar o comportamento indesejado aumentando a reincidência e intensidade deste no futuro.


Demonstrar confiança e expectativas positivas em relação ao comportamento da criança, a incentiva ter uma postura adequada, pois acredite as crianças adoram agradar os pais.


Enfim, os pais devem manter o controle da situação, isso ajuda a criança sentir-se segura e acolhida diante de um problema para o qual ela ainda não dispõe de recursos emocionais suficientes para lidar sozinha, mas com a orientação de um adulto responsivo, atento e carinhoso logo desenvolverá o autocontrole adequado para resolver as questões de maneira independente e saudável.


Por Roselaine Viana - Psicóloga Infantil

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